puxar pele

por Juliana Wähner

puxar pele

experimento projeção do vídeo da obra sobre a obra

foto Amarú Dlm
foto Amarú Dlm
foto Amarú Dlm
foto Amarú Dlm
Screen Yuri Landarin
foto PV Alcantara Martins
foto Yuri Landarin
foto PV Alcantara Martins

qual a fronteira entre um corpo e outro? o que os diferenciam?
o que um oferta ao outro?
uma súplica, uma contaminação, uma oração velada na carne?

os movimentos parecem ser convertidos em falta, mas também em adoração.
o que somos senão algo anônimo?

tento dizer sobre nossa expansão, mas não me reconheço, já perdi o que chamamos de rosto.
eu me penduro em ti, eu me derramo.

tentamos conceber a manhã sozinhos, mas é inútil.
o toque derrama nossas fronteiras, e não há mais diferenciação entre manhãs e noites. nossos músculos adquirem um nova substância.
eu deslizo ao teu encontro, não me desfaço de ti.

é de nossa reunião, que tantos chamam de obscena por estarem atrofiados, que nasce o crepúsculo que guardamos intocado.

registro por RAQUEL GAIO

diálogo anuviado

por Caio Figueiredo

Vozes abafadas pelo som, a secura do ambiente não condizia com a umidade externa, Olhos Azuis apaga seu cigarro recém fumado em seu cinzeiro portátil, com os olhos brilhantes, abre um sorriso e abre seu modesto caderno de anotações.

Olhos Azuis: Depois de nossa conversa, qual a primeira palavra que vem em sua cabeça?

Com o sorriso na face, prepara sua caneta preta rente à folha até então branca, o Estranho, tomado por uma súbita sensação de familiaridade ri.

Estranho: Você vai achar bobo, mas a palavra é Flor.

 

Aqui termina a cena 28.

.: corpo bálsamo :.

por Caio Figueiredo

rugosidades deformadas, sobreposições pitorescas,

beleza feia, feiura bela

mutabilidade alquímica e transcendental em uma infinitesimal roda.

incompleto, flutuante, rachado. quebrado.

dançante.

.: decreptude perfeita :.

por Caio Figueiredo

“Trata-se da vida e, portanto, de encontrar uma linguagem para a vida; e, como sempre, trata-se do que ainda não é arte, mas talvez possa se tornar arte.” – Pina Bausch

MA

por Caio Figueiredo

Viver entre. Concretude que há entre. Dançar com o ar entre os dedos, sorver a vida entre os espaços dos fios de cabelo, nadar entre a imaterialidade pseudo-espacial do solo dos Mortos que carregam as formas em devir-imperfeição. Ser.

Yameru Maihime

por Caio Figueiredo

“Do meu corpo, que se faz criador de fantasmas transformando o bolor, se dirá que ele foi criado definhando como uma múmia entranhada em seus bolores. Se bem que, ao beber os espíritos entre os bolores, ao invés da água, eu me fiz infiltrar em todos os interstícios das coisas, em todas as malhas de vestimentas, como se houvesse contemplado tudo me escondendo. Os armários e malas, as folhas de papel dobradas, a respiração das pessoas dormindo, o ar que se inflama com tudo isso, eu quero os bolores eriçados se misturando a todos. A ideia de que, a despeito do grito que poderia cicatrizar qualquer ferida, a dor se abrandaria se tocasse este ar secretado pelos bolores, esta ideia nunca abandonou meu corpo…”

  • Hijikata Tatsumi, pgs. 69-70

.: suspiro :.

por Caio Figueiredo

suspiro | substantivo masculino
1. |respiração forte e prolongada ocasionada pela dor, por uma emoção.
2. | gemido, lamento.
3. | pequeno orifício; respiradouro, respiráculo.
4. | exalar o último suspiro, morrer.