anotações

por Raquel Gaio

do 147º dia

passo a linha vermelha várias vezes sobre o fundo da calcinha, “costurando” o nada, quero dizer, apenas ela mesma, a linha. Linha sobre linha, um acúmulo, que revele talvez um textura febril.

faço a ação com a mão esquerda – a mais precisa- esta que também está coberta de linhas -de nascenças.

19/10

do 162º

cada vez que me encontro com a obra, ela se encontra mais suja, mais encardida.

ao que parece, 4 galinhos do galho preso na calcinha caíram.a flor está desaparecendo enquanto a nódoa aumenta.

passei hoje a linha apenas uma vez. Uma pequena linha vermelha. Como uma artéria, pulsando sobre todas as outras.

Derrida e o vegetal

por Raquel Gaio

Na verdade, não sei bem se vou falar sobre Derrida. Talvez seja melhor confessar logo que vou falar sob Derrida. Vou falar de baixo. Um pouco como a perspectiva que Francis Ponge usa para falar das samambaias em “Rhum des fougères” (de 1942): “De baixo das samambaias e seus belos brotinhos terei uma perspectiva do Brasil?” De baixo das plantas terei uma perspectiva de Derrida?

(…)

A partir de uma leitura de Ponge, então, queria poder desconstruir o animal de Derrida, e pensar o seu ensaio L’animal que donc je suis (O animal que logo sou) sob a perspectiva do vegetal. Isso me levaria – nos levaria – a algo como, melhor dizê-lo em francês, sem tradução, a algo como le végétal que donc je suis. O vegetal que logo sou, que logo existo, que logo sigo. Mas seria possível pensar a partir do vegetal? A partir de sua condição humilde? Num texto como “Fauna e flora”, de Le parti pris des choses (1942, traduzido aqui como O partido das coisas), Ponge estabelece uma comparação entre o vegetal e a escrita (écriture):

 O vegetal é uma análise em ato, uma dialética original no espaço. Progressão por divisão do ato precedente. A expressão dos animais é oral, ou mimetizada por gestos que apagam uns aos outros. A expressão dos vegetais é escrita, uma vez por todas. Não há como voltar atrás, arrependimentos e emendas não são possíveis: para se corrigir, é preciso acrescentar. Corrigir um texto escrito, e lançado, por apêndices, e assim por diante.

(…)

Pensar a temporalidade do vegetal obriga a pensar que o tempo vegetal é pura duração (durée) na mesma medida em que é movimento. O vegetal se move na mesma medida em que vive e cresce. O movimento é a própria vida, do crescimento. Desde o momento em que o grão se abre (explode) até a queda do fruto, o vegetal se moveu e viveu no tempo. Em alguns casos, esse tempo se mede em semanas ou meses (em flores sazonais). Em outros, em séculos (1800 anos, no caso de uma sequoia). À medida que cresce e se movimenta, o vegetal se transforma e se complexifica, das samambaias às orquídeas.

(…) Nos mamíferos, por exemplo, as funções do fígado e do cérebro são específicas e insubstituíveis, tanto que a morte de um desses órgãos provoca a morte do indivíduo. Na estrutura vegetal, há milhares de fígados e milhares de cérebros espalhados por toda a planta. Não há uma hierarquia entre a raiz e o tronco, ou entre as folhas e os ramos. Há uma diferenciação de funções. Uma árvore (assim como uma planta rizomática) é uma rede de conexões, é um “coletivo”, como se diz hoje. A estrutura de uma árvore já é rizomática, no sentido apontado por Deleuze, não há hierarquia ou centro. Daí a sua força, mas também a sua fragilidade.

(…) Nesse terreno pantanoso, nessa anfibiguidade em que poesia e filosofia crescem, nos interstícios da escrita-escritura, pode brotar e crescer um outro modo de pensar o vegetal, que logo somos.

(…) Entre outras coisas, acredito que pensar o vegetal, que logo somos, pode nos ajudar a questionar o modelo baseado no indivíduo (sustentado pelo cogito), que é o modelo animal, para um modelo de pensar baseado no divíduo – na dividuação do vegetal. Pois lá onde o animal quer se recolher em si mesmo (em último limite, no humano, no egoísmo, na acumulação), o vegetal quer dividir[-se], quer integrar-se, quer frutificar em direção ao futuro comum [avenir]. O ato essencial do vegetal é o dom, no sentido de doação (le don). E seu modo de viver é o “vivre ensemble”, “living together” se quisermos remeter, novamente, a Derrida. Há uma palavra inglesa que traduz bem isso, e que é também intraduzível: togetherness. O vegetal nos leva a pensar que há uma ética que se baseia mais em dividir mais que em reter, em acolher mais do que em escolher, em ofertar mais do que em apartar. Uma ética da generosidade, que é, em última instância, uma ética da hospitalidade. Mais não digo, senão: “olhai os lírios do campo…”

ADALBERTO MÜLLER

texto completo em  https://revistacult.uol.com.br/home/derrida-e-o-vegetal-que-logo-sou/ 

anotações

por Raquel Gaio

do 120º dia

não existe mais fotos na parede.duas fotos viajaram, se encontram em outro destino e não sei quem as olha neste momento.a outra está comigo, na gaveta de casa, onde antes estavam guardadas as tentativas, os exercícios, esses agora ocupam também uma gaveta, porém, dentro da oficina mecânica.

do 133º dia

houve mais uma quebra de um galho que está no vestido. muitas flores começaram a esfarelar no próprio tecido. quanto mais mexo, mais esfarela. algumas estão duras, como a parte próxima da flor, o galho..

elas estão içadas no tempo.

a polpa se mantêm, o miolo…não, não se mantêm totalmente, eu é que não sei nomear aquilo que se tornou.tenho amado botânica, mas sou imprecisa, ainda insuficiente com seus nomes.

tudo escurece, minhas mãos estão encardidas.

“abertura sobre o possível”

por Raquel Gaio

Considerações finais

A arte contemporânea, ao evocar a memória em suas possibilidades multifacetadas, propõe um “tempo fora do tempo”, expressão criada por Jeanne-Marie Gagnebin, ao referir-se ao O tempo reencontrado, último volume da obra de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido:

Então se reencontra algo que tinha sido perdido sem mesmo perceber: não é um tempo esotérico, solene ou majestoso, mas a intensidade efêmera de um momento esquecido do passado que, pela súbita junção com a temporalidade da sensação presente, adquire uma profundidade repentina, como se ele ecoasse um apelo que vem de longe, de um instante soterrado no passado e que, de repente, passa a ter um futuro possível. Ou ainda: o presente não é somente ponto de inflexão indiferente entre o antes e o depois; e o passado não é simplesmente algo encerrado e morto. Em seu encontro recíproco, ambos, passado e presente, assumem uma intensidade sensível que lhes outorga novamente aquilo que parecia perdido: a abertura sobre uma dimensão desconhecida, a abertura sobre o possível… (p.189)

Canton, Katia. Tempo e memória. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. p.57-58.

anotações

por Raquel Gaio

anotações feitas em agosto, antes de entrar no 100º dia.

14/08

95º dia

sou um corpo aberto

vegetal por destino

sinto falta de troncos

entrando e saindo de meus buracos

germino pra dentro

mas me cobram frutos

eu resseco para tudo que não possui um pertencimento fundo.

16/08

97º dia

o verso das fotos estão cobertos de poeira, os cabides, a calcinha também.

o encardido toma conta, toma forma, me toma.

por Raquel Gaio

“Acordei sonhando que havia nascido uma pequena planta na minha mão esquerda, sobre a linha do coração. Ela tinha uns 3 centímetros e uma pequena folha muito bonita. (…)

Hilda Hilst

espaço interior

por Raquel Gaio

O armário e suas prateleiras, a escrivaninha e suas gavetas, o cofre e seu fundo falso são verdadeiros órgãos da vida psicológica secreta. Sem esses “objetos” e alguns outros igualmente valorizados, nossa vida íntima não teria modelo de intimidade. São objetos mistos, objetos-sujeitos. Têm, como nós, para nós, por nós, uma intimidade.

(…)

Todo poeta dos móveis — mesmo um poeta em sua água-furtada, um poeta sem móveis — sabe instintivamente que o espaço interior do velho armário é profundo. O espaço interior do armário é um espaço de intimidade, um espaço que não se abre à toa.

A poética do espaço, Gaston Bachelard – pg.65

mulheres fiandeiras, corpo vegetal

por Raquel Gaio

me deparei, principalmente na 2 ª camada desse processo, com escritos de mulheres – que acompanho – que evocam/dizem/tateiam elementos que estão presentes nesta cartografia do perecível. penso esse post como um texto/imagem imenso com muitas mulheres fiando ( a si mesmas ) ao longo do tempo, mesmo findando – temporariamente- a pesquisa.

deixo aqui abaixo os escritos, nosso corpo vegetal:

todo tocar é uma canção

enquanto acordo os pássaros
a mãe tece a mortalha do anoitecer
agora estamos fora
na linha curvilínea de uma folha que chora

que farei com minhas mãos
depois de tocarem aquilo que não se toca?

todo tocar é uma canção
– murmulha a mãe entre seus galhos e rascunhos
é isso que se perde, minha filha

e sua voz vibra as águas do meu punho

Carla Carbatti

                         **
Onde renasce o silêncio

Hoje o mundo veio à forma de dois campos

De colheitas. Num vesti as roupas dos trigais

Noutro, os pássaros fizeram do corpo morada.

Seria essa a biografia conjugada

Aos vegetais, um corpo erguido ao ar

Migratório das cercanias do coração.

Para o dia que nasce, para a folha que morre

Veio até mim a claridade,

Sinal áureo que renasce

Acima de mim e dentro

A puxar o condão do mundo

Da vida tornada planta ou raiz numa perda

Verdejante quando palpável ao olhar.

A espera perde-se incomunicável

Para vê-la renascer num silêncio.

Maria Carolina de Bonis

                        **

lembro-me de minha mãe costurando. era uma mulher arquetípica, e à sombra de seu arvoramento meu corpo crescia, em segredo. nos falávamos pouco
e quando ocorria de nos falarmos era numa língua composta por uma única palavra, impronunciável

costurar era uma atividade que na época não se dava a meu conhecimento em termos de início e fim. minha mãe costurava, apenas. não fazia sentido dizer quando. hoje penso que essa experiência marca para mim o momento de formação de uma ideia de eternidade –

(rudimentar, ainda sanguínea; muito anterior à descoberta dos horizontes. do mar)

lembro-me das máquinas. do som do motor, em paralelo ao movimento do pedal. na mesa, duas ou três dessas almofadinhas de costura, crivadas de alfinetes e agulhas (o reflexo do sol na ponta da agulha mais alta, como o dedo de um deus doméstico em inox, prestes à criação)

Marceli Andresa Becker

                    **
Enquanto canta Joanna Newsom

Há qualquer coisa entre a voz e o inverno
que apressa a queda das folhas.

Não resiste a ser entoada
pela boca que simula outono.

Começa antes das estações,
colando-se ao chão, fazendo-se rasgo.

Da certeza, apenas uma brecha
entre o frio e a ramagem espessa.

* * *

Inverno 2013

Caíram as folhas,
homens acorrem
a semear o presente.
Mantilhas desfraldam a terra
e os passos aprendem,
com as mãos ensanguentadas,
com a cabeça perfurada de dúvidas,
o que ninguém sabe, nem mesmo o frio

Roberta Tostes Daniel

 **

Carla, ao ler todas, fiando nossos corpos:

. a folha que cai, a folha que morre, a folha que renasce no dedo inox: o fio e frio das mãos na terra: elas: corpos vegetais entretecidos de ritmos sanguíneos: uma língua clandestina falada entre silêncios entre mênstruos entre feridas. sim, a cartografia é esse infinito que perece nas solas dos pés, esse perecível que infinita o caminhar

**

Roberta, em resposta:

Vegetabilia

Tensiona esse fio frio
até que a folha chore
dessas mãos que seguem costurando
antes ou depois de tocar
(a si mesma?) na forma da
colheita – um corpo-morada
se acalanta em asa
na claridade de uma lingua composta
por única palavra.
Se renasce silêncio, se é ainda
rudimentar (o que se enuncia
sangue, noite?) ninguém sabe
se faz rasgo ou ramagem.

anotações

por Raquel Gaio

08/08

89ª dia

uma poética da vigília.

a nódoa é construída na calcinha começa a ter uma dureza, uma consistência. Ela parece querer vencer a fragilidade do próprio gesto que a inaugurou.

O primeiro gesto, aquele perfurou, que criou uma fenda, já se encontra encardido, enterrado no objeto.

-eu me perco- estou trançada no tempo-

hoje fui mexer no altar que foi nascendo ao longo desses três meses.tomei um susto, pois algumas flores que lá se encontravam viraram pó, se esfarelaram.

A obra me quebrou.se sobrepôs as minhas ideias. elas se cobriram de grandeza, ameaçaram minha boca, meu dizer.

11/08

92º dia

– ir retirando as fotos da parede levando para a oficina as primeridades que se encontram na minha gaveta: os rascunhos, os processos, as tentativas.

– pensar a palavra e o tempo como uma espécie de corpo vegetal.

da cômoda

por Raquel Gaio

Essa cômoda chegou na oficina doada por um vizinho no final da primeira camada, logo me encantei com o objeto -velho – com partes carcomidas, com o gene cheio de memórias. Passado alguns dias, percebi que se relacionava de forma muito própria com o ambiente da oficina e também com a intimidade e a memória que trazemos de cômodas, de gavetas, de guardados.

Na tentativa de introduzir esse objeto na pesquisa da cartografia do perecível, veio a lembrança de que os primeiros exercícios/experimentos com fotos, flores e linhas ( e que estão aqui registrados nos primeiros posts) estavam guardados numa cômoda bem parecida com essa na minha casa. Esses primeiros exercícios fizeram nascer a cartografia que está na oficina, embora no começo ainda não tinham sido nomeados dessa forma.

Comecei então a ter a ideia de retirar gradualmente as fotos da primeira parede e ir ocupando a gaveta com esses esboços que estavam na minha gaveta.

Retirar as “obras” para expor o “processo”.Expor minha intimidade, as rasuras, as falhas.

Sempre penso que esses termos -obra/processo- estão imbuídos um do outro, são areias movediças esses nomes. Eles se habitam no gesto, na ideia, no tempo-espaço.

Se nutrem.

Levar o que guardo é me levar também.

algum mapa de refúgio.

 

puxar pele

por Juliana Wähner

puxar pele

experimento projeção do vídeo da obra sobre a obra

foto Amarú Dlm
foto Amarú Dlm
foto Amarú Dlm
foto Amarú Dlm
Screen Yuri Landarin
foto PV Alcantara Martins
foto Yuri Landarin
foto PV Alcantara Martins

qual a fronteira entre um corpo e outro? o que os diferenciam?
o que um oferta ao outro?
uma súplica, uma contaminação, uma oração velada na carne?

os movimentos parecem ser convertidos em falta, mas também em adoração.
o que somos senão algo anônimo?

tento dizer sobre nossa expansão, mas não me reconheço, já perdi o que chamamos de rosto.
eu me penduro em ti, eu me derramo.

tentamos conceber a manhã sozinhos, mas é inútil.
o toque derrama nossas fronteiras, e não há mais diferenciação entre manhãs e noites. nossos músculos adquirem um nova substância.
eu deslizo ao teu encontro, não me desfaço de ti.

é de nossa reunião, que tantos chamam de obscena por estarem atrofiados, que nasce o crepúsculo que guardamos intocado.

registro por RAQUEL GAIO

anotações

por Raquel Gaio

18/07/17

68º dia

Cada vez mais flores habitam o vestido. Cada vez mais, se tornam difíceis os remendos, as suturas, os movimentos para preenche-lo ficam mais longos, as linhas se misturam mais, os nós se visitam com mais profundidade.

As flores parecem estar virando pó.

foto da primeira flor eleita para o trabalho

14/07/17

64º dia

Prendi no vestido a flor rosada que o menino deixou.

Durante um remendo, pensei nos bichos que habitam as flores secas.

Numa tentativa de colocar um galho que ficava para fora do contorno do vestido, aconteceu a quebra, a fenda, a separação.

Quando enfio a linha vermelha na agulha, de certa maneira, estou colocando também o meu próprio tempo. “A linha é o prolongamento de mim mesma.” Linha de Costura, Edith Derky

A agulha como uma arma – ataque e defesa-

Existe sim um território onde os fusos horários se entrecruzam dentro do corpo da gente. (…) Talvez o centro físico do universo esteja dentro de cada coisa.”

Meu corpo rouba porções do tempo. A idade não deixa de ser uma alucinação. Um corpo inalcansável dentro de um outro corpo.

Cada galho carrega um tempo. Vestígio.

Ontem, enquanto eu passava a linha vermelha sobre um mesmo ponto na calcinha, você disse que esse meu remendo parecia uma flor.eu chamo de nódoa.

pesquisas, referências

por Raquel Gaio

leitura feita entre janeiro e abril

relida em julho.

Memória como agente de resistência

Nas artes, a evocação das memórias pessoais implica a construção de um lugar de resiliência, de demarcações de individualidade e impressões que se contrapõem a um panorama de comunicação à distância e de tecnologia virtual que tendem gradualmente a anular as noções de privacidade, ao mesmo tempo que dificultam trocas reais.

Também é o território de recriação e de reordenamento da existência- um testemunho de riquezas afetivas que o artista oferece ou insinua ao espectador, com a cumplicidade de quem abre um diário.

Canton, Katia. Tempo e memória. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. p.21 22

 

anotações

por Raquel Gaio

Junho

costuro uma nódoa vermelha, vazia, um hematoma. um remendo que nada abrange em seu interior, que já nasce oco no corpo e que não trama nenhum desperdício, além de seu próprio vazio.

porque o corpo é uma flor muito fresca e mortal.” Herberto Helder, O Bebedor Nocturno

tudo contém sobras, desperdícios, vestígios. embora nos pareça que sempre falte algo.

ver o escurecimento da linguagem.dos tempos.

deixar surgir um altar: um arquivo, inventário dos restos.

22/06/17

às vezes é difícil ver onde termina uma sutura, um remendo, ou se de fato está cumprindo sua função de fechar, juntar.

verificar se de fato as bordas estão seguras.

uma poética do sintoma.

anotações

por Raquel Gaio

Maio/junho

– a noite sempre morre aberta em algum corpo –

Catalogar.

nomear cicatrizes.

inventário.

O poder da foto como testemunho/ garantia do acontecido.

Enaltecer o vulnerável. Espécie de ritual, cerimônia

Atribuir espessura, em vez de achatá-la. 

De um corpo em trânsito para um corpo parado/ um corpo em repouso.

Misturar os tempos- ( nas fotos e também nos objetos)- o que era presente já é passado/ acúmulo de gestos, tempos e travessias.

Colocar as folhas como “fronteira” e não exatamente embaixo.

Tudo morre com o nome. ou não.

Esquecer também é uma forma de endurecer.